"...- O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Coma há muitos severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
[...]
Somos muitos severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida ).
[João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina]
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sábado, 26 de fevereiro de 2011
" J'ai montré mon chef-d'oeuvre aux grandes personnes et je leur ai demandé si mon dessin leur faisait peur.
Elles m'ont répondu: <Pourquoi un chapeau ferait-il peur?>
Mon dessin ne représentait pas un chapeau. Il représentait un serpent boa qui digérait un éléphant. J'ai alors dessiné l'intérieur du serpent boa, afin que les grandes personnes puissent comprendre. Elles ont toujours besoin d'explications."
( Le Petit Prince)
Elles m'ont répondu: <Pourquoi un chapeau ferait-il peur?>
Mon dessin ne représentait pas un chapeau. Il représentait un serpent boa qui digérait un éléphant. J'ai alors dessiné l'intérieur du serpent boa, afin que les grandes personnes puissent comprendre. Elles ont toujours besoin d'explications."
( Le Petit Prince)
“Você só é você pq existe o não-você.”
Você não seria você se não existisse o não-você, porque sem o não-você, você não poderia afirmar que alguma outra coisa não é você ou que você não é alguma outra coisa. Sem o não-você, ou existiriam vários “você” ou não existiria nenhum. O não-você é a base para a auto-definição, sem ele você inexiste, você não é, você somente é quando se pode dizer que o restante não o é. É o não-você que determina sua existência, não você, na ausência do não-você, você apenas existe como indeterminado, não como você propriamente. Portanto, para que você possa afirmar-se você, único e díspar em sua individualidade, é necessário uma base de alteridade e contradição, o não-você...
Você não seria você se não existisse o não-você, porque sem o não-você, você não poderia afirmar que alguma outra coisa não é você ou que você não é alguma outra coisa. Sem o não-você, ou existiriam vários “você” ou não existiria nenhum. O não-você é a base para a auto-definição, sem ele você inexiste, você não é, você somente é quando se pode dizer que o restante não o é. É o não-você que determina sua existência, não você, na ausência do não-você, você apenas existe como indeterminado, não como você propriamente. Portanto, para que você possa afirmar-se você, único e díspar em sua individualidade, é necessário uma base de alteridade e contradição, o não-você...
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
O analfabeto político
O pior dos analfabetos
É o analfabeto político
Ele não ouve, não fala
Não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão e do peixe,
O preço da farinha, o aluguel,
O preço dos sapatos e dos remédios
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
Que se orgulha e estufa o peito
Para dizer que detesta a política.
Ele não sabe, o imbecil,
Que é a sua ignorância política
Que produz a prostituta,
O menino de rua, o ladrão,
E o pior de todos os bandidos:
O político desonesto,
Mentiroso e corrupto,
Que lambe os pés das empresas
Nacionais e internacionais.
( Bertolt Brecht)
É o analfabeto político
Ele não ouve, não fala
Não participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
O preço do feijão e do peixe,
O preço da farinha, o aluguel,
O preço dos sapatos e dos remédios
Dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
Que se orgulha e estufa o peito
Para dizer que detesta a política.
Ele não sabe, o imbecil,
Que é a sua ignorância política
Que produz a prostituta,
O menino de rua, o ladrão,
E o pior de todos os bandidos:
O político desonesto,
Mentiroso e corrupto,
Que lambe os pés das empresas
Nacionais e internacionais.
( Bertolt Brecht)
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Poesia matemática
Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
[Millôr Fernandes]
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
[Millôr Fernandes]
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
[Fernando Pessoa]Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
-so, let's write love letters....
“Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor!”
“A imperfeição é bela, a loucura é genial, e é melhor ser absolutamente ridículo que absolutamente chato.”
“Eu gosto de estar bem vestida ou inteiramente despida. Não me preocupo com o meio termo.”
“Hollywood é um lugar onde te pagam mil dólares por um beijo e cinqüenta centavos por sua alma.”
“Se eu tivesse cumprido todas as regras, eu nunca teria chegado em qualquer lugar.”
Marilyn Monroe
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
while my guitar gently weeps
I look at you all
See the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at the floor
And I see it needs sweeping
Still my guitar gently weeps
I don't know why nobody told you
How to unfold your love
I don't know how someone controlled you
They bought and sold you
I look at the world
And I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake
We must surely be learning
Still my guitar gently weeps
I don't know how you were diverted
You were perverted too
I don't know how you were inverted
No one altered you
I look at you all
See the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at you all
Still my guitar gently weeps
See the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at the floor
And I see it needs sweeping
Still my guitar gently weeps
I don't know why nobody told you
How to unfold your love
I don't know how someone controlled you
They bought and sold you
I look at the world
And I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake
We must surely be learning
Still my guitar gently weeps
I don't know how you were diverted
You were perverted too
I don't know how you were inverted
No one altered you
I look at you all
See the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
I look at you all
Still my guitar gently weeps
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
domingo, 6 de fevereiro de 2011
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